Posso não lembrar muito bem o dia em que ela roubou meus suspiros, quando ela começou a invadir todos os meus pensamentos e fazer campana em todos os meus sonhos. Mas eu ainda lembro muito bem quando ela me fez cair no chão com lágrimas nos olhos, quando ela disse que iria embora de toda aquela loucura e disse, ainda, sem nenhuma ressalva que não era feliz.
E eu me perguntei dali em diante, todas as noites, onde eu tinha errado. Se o que eu vivi foi real ou apenas fruto da minha imaginação. Por que ela não sentiu o mesmo? Por que ela não amou o que eu amei? Por que ela não lembra de nada que eu lembro?
Então, perco-me, mais um vez, dentre os lençóis frios. Em mais uma noite sem dormir, sem sonhar, sem tê-la em meus braços...
E ela não disse, não que eu lembre, porquê entrou aqui, porquê entrou na minha cabeça assim tão prontamente. Eu não conseguia imaginar minha vida sem ela e agora me vejo diante de tudo aquilo que nunca pensei, minha vida inteira sem ela. Não há mais nada, nem um algo mais. Ela não disse quem era, quem foi ou o que será; ela passou, assim como as nuvens passam.
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