quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Polo

Lamento senhores; apostei no cavalo errado. Tanto falatório, tanta divulgação e resolvi seguir o meu palpite, constatei meu erro mais tarde.
E, como mal perdedor, ele só me dá as costas. Eu continuo aqui, esperando suas razões por toda enganação e falatório. Aqui permaneço com a decepção estampada na face.

Pulso forte

Mãos firmes para segurar as pontas de cigarro
Porque as lágrimas abalam as mãos e o apagam
Porque isso requer a frieza das minhas mãos,
Que não se queimam fácil, para clarear a escuridão.

Passos lentos e decididos que buscam clareza,
Mas só encontram as ruelas da incerteza.
Tantos diálogos que violentam meus ouvidos
E não escuto sequer os pensamentos da minha cabeça.


Em: 31.01.10

Go away

Você saiu sem ao menos se despedir, como quem vai até a esquina e volta. Sem dar importância à lágrima que percorreu a face te procurando numa manhã de casa vazia.
Esquece-se o choro para dar passos decididos na rua. Manter-se firme diante das ruínas para não desabar com elas.
Você saiu sem bater os pés, sem deixar a terra dos teus sapatos, como quem deseja ir embora levando algo consigo.
Apesar da realidade ainda não ter se apoderado... Como um cão fiel que é enxotado pelo dono, mas continua esperando um afago. Cães se contentam com pouco e têm a memória curta; não sou um cão.

Chuva

Teus passos foram levados para algum lugar
Não farei da tua partida lágrimas
Diferente das rosas, você teve escolha.

Não vou compor melodias trágicas
A noite foi longa, mas a chuva passa
Invernos não duram para sempre

Quedas me quebram como a um cristal
Tão sensível e delicado ao toque do chão
Você simplesmente abriu sua mão...

Passos quentes e precipitados tendem a chover
Não havemos de esquecer que chuva acaba
E no final só restam poças d’água.
Em: 31.01.10

31.01.10

A noite foi longa. As lágrimas vieram como ondas do mar, oscilando a beijar-me os olhos sem molhar-me a face.
O choro ainda está preso na garganta, juntamente com o grito da credulidade. A realidade ainda não me sussurrou a dor. Creio que esse deva ser o papel da ausência. Pensei que fosse quebrar ainda mais; descobri que cacos não se partem mais quando são apenas migalhas de vidro.
A angústia quis partir com o vento, mas os pés se recusaram a correr. E o coração quis agir como criança assustada, se esconder. Ao final dos baques, das trovoadas, eu quis fugir da chuva, mas o inverno apenas começou.

sábado, 23 de janeiro de 2010

Divina Loucura

Risos, amigos, ouço risos delirantes
de uma euforia demente...
O pranto compulsivo converte-se
em risos delirantes, angustiantes.

Almas trepidantes a queimar em brasas.
Faíscas que fogem do fogo, procurando consumir
tudo o que vêem pela frente, o que possam tocar.

Badaladas, amigos, ouço sinos gritando.
Tão angustiados, sobressaltados, assim como eu
Como se o apocalipse chegasse ao seu apogeu.
Então tudo fenece... Até meu anjo faleceu.

Em: 22/01/10

Expedições de uma alma (21/01/10)

Falta de idéias ou falta de tempo? Creio que as idéias me abandonaram, sinto-me despida a alma. E, com o frio da madrugada que adentra no meu ser, ela se contorce, tremendo e pedindo calor a qualquer passante que divaga noite adentro.
Os olhos são tristes e fundos, como olhos que passaram muito tempo chorando; depois de um dado momento, esquece-se o motivo dos prantos, o choro compulsivo é mecânico.
Distantes as distâncias que outrora eram mera convenções de espaço. Nem mais o pensamento consegue percorrer o caminho que descreveram os passos perdidos, obstinados a se perder entre os prazeres efêmeros da vida. A volatilidade consome a alma sozinha, que sórequer constância para não sentir mais tanto frio. As dores aumentaram consideravelmente; a morfina não ajuda em mais nada, apenas consta como mais um vício na lista de tantos outros. A vida tende a ser breve.
Malograr em tanta coisa, sentir, no final do dia, tanta frustração que o desânimo consta como enfermidade que obriga o corpo a permanecer prostrado numa cama. As visitas? As flores? Tudo virou sombra e idílio quando suas preces deixaram de ser agradáveis.
Tornou-se cético, vendo que tudo ao redor não passava de uma idéia absurda, onde as pessoas necessitavam crer para dar um sentido à vida, tão desmotivada por si só. O sofrimento, punição ao "pecado". Até os mais gentis sofrem; "purificação". O desgosto amargando como fel. A boca que outrora pronunciava devaneios agora sussurra razões.
"Quem haverá de vir ver o pôr do sol?". Grita aos passantes apressados com suas ocupações. E o silêncio consta como um zunido em seus ouvidos. Sente-se, então, como um mendigo, que não tem voz, cor, cheiro ou tamanho. A escória da sociedade. O que as pessoas escondem debaixo do tapete; vida privada. O que mostram com preponderância e orgulho; vida social, cuidadosamente lapidada.
Alguém haverá de gritar os temores de todos; os taxarão de louco. Loucura é admitir-se fraco, exorcizar o medo, expeli-lo da alma. Para isso, há de se ficar vulnerável, perturbado a tal ponto que os delírios se confundem com a realidade.